domingo, 30 de julho de 2023

AGRO

 A palavra 'agro' ficou marcada no imaginário popular como agronegócio, mas é muito mais ampla, mais antiga e mais interessante, ao menos pra mim. Mais ampla porque associada à cultura abrange os saberes da lida com o campo, com os cultivos de vegetais e fungos, o estudo e o gerenciamento profissional desses sistemas, e com todo um modo de vida baseado na vida no campo. Mais antiga porque é simplesmente a mãe da civilização humana, o que permitiu a sedentarização e a construção das cidades. Pode perfeitamente ser muito anterior a isso, mas esse não é o assunto desse post. [chuckles] Mais interessante pra mim desde criança, vendo a hortinha do Digo (bro) e até - por que não - na experiência do feijãozinho no algodão da infância. 

Longa pausa nesse interesse por toda a adolescência e juventude até os 28, quando me mudei da casa dos meus pais para uma casa com quintal. Dividindo com o André (bro) até certo momento, primeiro de um lado do muro depois do outro, peguei a seguinte situação: na metade do quintal do lado da rua, muitas folhas de mangueira e abacateiro além de alguns frutos podres ou verdes, ou mordidos por morcego, uma boa camada no chão, varri e empilhei tudo na terra  ao lado da mangueira onde jazia o antigo jardim. Comecei a fazer uma composteira espontaneamente, sem ter sabido algo a respeito. Todo o material varrido ia praquela pilha. A copa da mangueira se derramava sobre o telhado a ponto de causar infiltrações teve que ser podada. o material podado deu mais de um metro cúbico.  O jardim que havia antes tinha desaparecido, deixando aguns canteiros de terra batida, uma camada superficial de terra de jardim ressecada. Até experimentei plantar espinafre de saquinho de sementes num canto do canteiro, fui regando e cresceu junto com uns matinhos ali e no resto dos canteiros, os quais fui pouco a pouco aprendendo a distinguir: quebra pedra, cariru, urtiga-mansa, dandelion, tanchagem, mais tarde castanheira, pitangueiras, jaboticabeiras, essas semeadas por morcegos e pássaros, usuários frequentes dos confortáveis poleiros da mangueira. Mal a espinafre pegou, vieram as chuvas e ela mofou, enquanto o jardim ao redor fez um bum de crescimento. Maravilhado com o vigor da natureza, com as arvorezinhas de assa peixe ultrapassando a altura dos moradores em apenas alguns meses, deixei que o matagal fosse tomando conta, sem interferência alguma, só observando. Chegou ao ponto de ser preciso afastar o matagal com os braços para entrar e sair de casa, e de altura muitas plantas ultrapassando 2 m. Um dia resolvemos e fizemos um mutirão removendo a maior parte do mato, com exceção de pequenas frutíferas e de dois tipos de imbé, roxo e verde, cujas raízes com batatinhas rebrotaram do antigo jardim.

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